I Simpósio Nacional do Instituto Dona Isabel I

"NEO-ABOLICIONISMO: resgate histórico ou retomada do Abolicionismo?"

Reunindo cerca de 80 participantes, realizou-se, entre os dias 30 de Setembro e 1º de Outubro de 2005, no Auditório do Memorial Vargas, Rio de Janeiro, o I Simpósio Nacional do Instituto Dona Isabel I. Entre os presentes, o bispo emérito de Petrópolis, D. José Carlos de Lima Vaz SJ; do abade emérito de N. S. do Monteserrat; D. abade José Palmeiro Mendes OSB; a diretora do arquivo-geral da cidade do Rio de Janeiro, profª. dra. Beatriz Kushnir; o representante do comandante-geral do corpo de fuzileiros navais, cap-ten. FN Augusto Freitas de Lima, além, obviamente, de SS.AA.RR. as princesas D. Isabel Eleonora de Orleans-e-Bragança (trineta homônima da Redentora) e D. Luiza Carolina de Orleans-e-Bragança (bisneta homônima de D. Luiz), esta última acompanhada de sua mãe, a Sra. Princesa D. Maria da Graça e, também, da Sra. Bernardo Nabuco de A. Braga Ratto, que é nascida D. Maria Francisca de Orleans-e-Bragança - trineta de D. Isabel I e esposa do trineto de Joaquim Nabuco.

Além de Bernardo Nabuco A. B. Ratto, vieram as seguintes descendentes dos grandes abolicionistas: Sra. Maria do Carmo Nabuco de Magalhães Lins (neta de Joaquim Nabuco e sua tia-avó) e as Sras. Ana Maria Enout Rebouças e Alice Rebouças Bellas Galvão, sobrinhas-bisnetas de André Rebouças.

De Maceió (AL), vieram as professoras Maria Madalena Cunha e Marlene de Carvalho, Presidente e Secretária da Confraria Princesa Isabel e, de Curitiba (PR), a profª. Zélia Sell, importante radialista local que apresenta o programa Nossa História na rádio educativa do governo paranaense e sócia do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

Os trabalhos foram abertos na manhã de sexta-feira pelo presidente prof. Bruno de Cerqueira, que solicitou a todos um minuto de silêncio pela memória do embaixador Sérgio Corrêa da Costa (*1919 †2005), falecido dois dias antes e que seria um dos homenageados da parte final do Simpósio, com o título de Sócio Honorário do IDII. O embaixador Corrêa da Costa, genro do também embaixador Oswaldo Aranha, foi um brilhante diplomata e literato brasileiro, tendo escrito, aos 24 anos de idade, "As quatro coroas de D. Pedro I" (Ed. Civilização Brasileira, 1940) e desenvolvido mais tarde um número considerável de obras que viriam a ilustrar muito do passado brasileiro do séc. XIX.

Seguiu-se a leitura do texto preparado pelo prof. Bruno para introduzir e conceituar o Neo-abolicionismo, ocorrendo então a palestra da profª. Maria Alice Rezende de Carvalho, sobre André Rebouças - "O Engenheiro da Nação Brasileira". Maria Alice, titular do IUPERJ, é a autora de "O quinto século - André Rebouças e a construção do Brasil" (Ed. Revan, 1998), livro sem o qual é impossível compreender os projetos reboucianos para o pós-abolição (1888).

Deu-se em seguida a palestra do prof. dr. Ricardo Salles sobre "Joaquim Nabuco - O Príncipe dos Abolicionistas". Ricardo Salles, titular da UNIRIO e adjunto na UERJ, é um especialista na obra nabuquiana, sendo o autor de "Joaquim Nabuco, um pensador do Império" (Ed. Topbooks, 2004).

A palestra sobre "Cotas para negros", que seria proferida pela profª. Zilmar Borges Basilio, especialista em Administração Pública e grande debatedora carioca na questão, não pôde acontecer por motivo de força maior. Falou em seu lugar o prof. Mário Câmara, coordenador e líder do movimento de pré-vestibulares comunitários de São João de Meriti, cidade mais populosa da Baixada Fluminense.

Mário Câmara, que está em fase final de graduação em História na PUC-RIO e é versado em Teologia Protestante, elucidou aos presentes sua própria história de vida, com os óbices inerentes às dificuldades econômicas e financeiras porque passam todos os chamados "carentes" dos bolsões de pobreza do Estado do Rio e do Brasil em geral, abandonados que são, há dezenas de décadas, por governantes corruptos e voltados exclusivamente ao gozo de benesses, privilégios e isenções que os altos cargos executivos e legislativos lhes conferem.

No segundo dia do evento, o prof. Bruno reabriu os trabalhos, passando à leitura do projeto de tese de doutoramento do prof. Robert Daibert Junior, no IFCS / UFRJ, sobre o ultramontanismo da Redentora (sob orientação do renomado historiador José Murilo de Carvalho). Robert Daibert é o autor de "Isabel, a Redentora dos Escravos: uma história da Princesa entre olhares negros e brancos" (EDUSC, 2004), lançado inclusive pelo próprio IDII, em dezembro do ano passado, no saguão da Academia Brasileira de Letras. O projeto despertou interesse na platéia de professores e demais interessados.

Seguiu-se a palestra do prof. Iram Rubem Brandão, coronel-médico da Aeronáutica e graduando de História na Universidade Cândido Mendes, que explanou sobre a trajetória de "José do Patrocínio - Apóstolo do Abolicionismo".
A preleção foi encerrada com as palavras da neta de Joaquim Nabuco, que representava na ocasião a descendência direta que Patrocínio não possui: a Senhora Maria do Carmo ("Nininha") Nabuco M. Lins.

Também não pôde ser realizada a palestra da profª. Beatriz Resende (UFRJ) falando, então, a profª. dra. Teresa Malatian (UNESP), sobre "Luiz de Orleans-Bragança, o D. Sebastião Brasileiro". Teresa Malatian é a autora de "Império e Missão, um novo monarquismo brasileiro" (Cia. Editora Nacional, 2001), obra sobre o movimento patrianovista brasileiro.

Ao final foram entregues os certificados de participação aos presentes e, a seguir, os títulos de sócio honorário do IDII: à profª. Silvia Mamede, diretora do Memorial Vargas, naquele ato representando o secretário das culturas da cidade do Rio de Janeiro (Ricardo Macieira), que se encontrava em outro compromisso e à Senhora Anna Marcondes, Diretora do Centro Comunitário Lidia dos Santos.

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