Monarquistas brasileiros repudiam programa do PR

Seis entidades formadas por monarquistas brasileiros acabam de distribuir nota à imprensa na qual declaram que é lastimável que o Partido da República (PR), "ao invés de expor sua linha de idéias, tenha empregado boa parte de seu tempo pela televisão para caluniar o Segundo Império do Brasil", numa alusão ao programa levado ao ar em rede nacional no dia 14/06/07. No documento, após lançar desmentidos sobre afirmações dos apresentadores republicanos, os monarquistas declaram, entre outras considerações, que a propaganda republicana só fez ataques a um período histórico que forjou a unidade do Brasil e o encaminhava para um desenvolvimento natural, "até essa evolução ser cortada pelo golpe de 15 de novembro de 1889". Esta é a íntegra da nota:

NOTA DE REPÚDIO DOS MONARQUISTAS BRASILEIROS
AO PROGRAMA PRODUZIDO PELO PARTIDO DA REPÚBLICA

"É com indignação que os monarquistas brasileiros, representados nas instituições abaixo relacionadas, viram-se forçados a assistir à propaganda partidária obrigatória na última quinta-feira 14 de junho, produzida pelo Partido da República (PR). Nela, todo um período dos mais brilhantes da História Brasileira foi acintosamente denegrido, mediante premissas falsas e sem embasamento nos fatos reais. É lastimável que o PR, ao invés de expor sua linha de idéias, tenha empregado boa parte de seu tempo pela televisão para caluniar o Segundo Império do Brasil, esquecendo-se que por mais de um século estamos sendo submetidos, enquanto povo, a todos os tipos de achincalhes exatamente pelo poder republicano.

Face à impossibilidade de atacar a figura exemplar de D. Pedro II, classificado pelo PR como "boa praça, idealista, querido pelo seu povo, honrado e com boas intenções", a mensagem do PR enveredou a discorrer inicialmente sobre favelização com a chegada de escravos libertos aos morros cariocas, vergonhosamente colocando sobre os negros a culpa pelo início da desorganização urbana do Brasil no século XX. Ignoraram esses republicanos os planos da Princesa Isabel para assentar os ex-escravos em terras devolutas, em uma autêntica e verdadeira Reforma Agrária, a mesma que jamais foi feita na república.

E, também, que o Brasil Império tinha uma das maiores participações nos processos eletivos do século XIX; era respeitado e ocupava lugar de igualdade face às outras nações; e esqueceram-se de dizer, ainda, que a ditadura e a submissão aos interesses internacionais passaram a fazer parte da triste herança deixada pelo golpe de 1889.

E como pôde o PR referir-se a Impostos demais durante o Império Brasileiro? Como se pode fazer tal colocação se, naquela época, tínhamos menos de um terço dos impostos que suportamos hoje? Vigiam no Império apenas 17 tarifas, enquanto a república já nos cobra hoje 62 impostos ou taxas, consumindo 40,69% de tudo o que produzimos. Essa a herança da república quanto à carga tributária a que o PR não mencionou.

Colocar a república, tal como a propaganda do PR o fez, como aspiração de toda a população, ao termo do Século XIX, é no mínimo desconhecer a História Brasileira, ou quiçá uma pilhéria. O Partido Republicano daquela época nunca elegeu mais de três deputados. Então, como chamar a idéia republicana de popular? Pior, é do seio dos próprios republicanos partícipes do golpe de 1889 que sai a palavra comprobatória, pois Aristides Lobo, jornalista republicano, escreveu claramente que a população a tudo assistira "bestializada, atônita, surpresa, sem saber o que significava". Lógico: quem promoveu o golpe de 1889 foram as elites escravocratas revoltadas com a Abolição - os "Republicanos de 14 de Maio".

O povo brasileiro não comungava das desconhecidas idéias republicanas. Em verdade, era ao Império e a Dom Pedro II que o nosso povo tinha genuíno apreço - daí a razão do banimento ao exílio de toda a Família Imperial Brasileira. Nascia assim a República Velha, ou República Oligárquica, como é chamada pelos livros de História. Crises? Não exatamente no Império, que nos rendeu quase meio século de estabilidade institucional. Nossa pior crise é hoje, sob a república da corrupção - a maior seqüência de desonras públicas que a História já registrou no Brasil.

Numa constatação óbvia para todos nós, o programa do PR reconheceu que a república não cumpriu seu papel, após mais de 100 anos. Se 117 anos não bastaram, quantos mais exigirão? Fato é que, com o histórico vergonhoso que a república brasileira teve e tem, é autêntica profanação uma propaganda partidária republicana atacando a lembrança do período histórico que forjou a unidade do Brasil e o encaminhava para um desenvolvimento natural, até ter sua evolução cortada pelo golpe de 15 de novembro de 1889.

O desenvolvimento não passa pelos trilhos da forma de governo republicana, ao contrário do que a propaganda insinuou. Que o digam ingleses, noruegueses, australianos, canadenses, japoneses e suecos. Nós, brasileiros monarquistas parlamentaristas do Século XXI, defendemos uma forma e um sistema de governo que garantam a transparência, a eqüidade, a justiça, a liberdade e a democracia, bem como o inabalável respeito pelo bem comum, em proveito de todos e não de poucos, como hoje desgraçadamente acontece na república brasileira. Sobre isto o PR se omitiu!"


Subscrevem as instituições:

Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos de Minas Gerais (IBEM-MG) - http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=30691479
Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos do Rio Grande do Sul (IBEM-RS) - http://www.ibem.org/
Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos - IBEM Nacional - http://www.ibem.inf.br/
Brasil Imperial - http://www.brasilimperial.org.br
Movimento Monárquico Brasileiro - http://www.geocities.com/CapitolHill/7394/
Círculo Monárquico Paraense - flavio23br@hotmail.com