Mulher poderá ocupar o trono no Japão

Quebrando tradição que data do século XIX, o Japão poderá ter uma imperatriz ocupando o Trono do Crisântemo, porque os varões estão escasseando na família real. Comissão especial, designada pelo governo considerou legal um projeto de emenda à Constituição que permite o acesso das mulheres ao trono japonês.

O projeto será votado agora pelo Parlamento, onde o primeiro-ministro Junichiro Koizumi, partidário entusiasta da medida, tem maioria absoluta. "Os japoneses dariam boas-vindas a uma imperatriz", disse Koizumi ao destacar a finalidade do projeto de emenda.
Segundo a antiga Lei Imperial ratificada em 1947 (quando o Japão era ocupado pelos EUA), só filhos homens do imperador podem assumir o trono. Como o sucessor do imperador Akihito, Naruhito, de 44 anos, só tem uma filha, a princesa Aiko, pela lei ele não teria herdeiros. "Era, portanto, uma questão de segurança nacional", disse Koizumi.

Pelo menos oito mulheres já ocuparam o trono no Japão, entre os séculos VI e XVIII. Muitas tinham status de regente - porque seus filhos eram menores de idade ou por razões políticas. A última mulher a ocupar o Trono do Crisântemo foi a imperatriz Go Sakuramachi, no século XVIII. Com a restauração da dinastia Meiji, em 1868, e a abertura para o Ocidente, o Japão decidiu que o direito de reinar ficaria restrito aos homens. Segundo recente pesquisa, 84% dos japoneses gostariam que uma mulher assumisse o trono.