Mensagem aos Monarquistas

Prezados monarquistas,

Venho tecer algumas considerações acerca de tudo o que tenho visto em termos de críticas aos participantes dos Encontros de Petrópolis, São Paulo e Rio de Janeiro. São críticas infundadas.

Estive em todos os encontros, assinei todas as respectivas Cartas e tenho acompanhado e participado de todas as atividades que têm por escopo principal a viabilização do MM por meio da união entre todos os monarquistas, para, juntos com a Família Imperial, implantarmos métodos modernos de gestão, de criação de fundos e de planejamento estratégico para a divulgação da causa e obtenção do engajamento de novos monarquistas.

De nada adiantam tentativas de desacreditar aqueles que fazem, pois se assim fosse, teríamos que desacreditar os integrantes do Pró Monarquia que também fazem ao seu modo pelo MM. Isso também seria injusto.

O que temos que fazer é sentarmos todos à mesma mesa, junto com os nossos príncipes, e discutirmos abertamente todas as propostas das Cartas de Petrópolis, São Paulo e Rio de Janeiro, assim como as surgidas dos Encontros do Rio de Janeiro e de Curitiba realizados pelo Pró Monarquia, criticarmos o que tivermos para criticar, reforçarmos o que tivermos para reforçar, somarmos, adequarmos, para podermos de vez lançar um grande manifesto à Nação subscrito pelo maior número de monarquistas possível e iniciarmos uma campanha única, que contenha as melhores e mais modernas técnicas de gestão e de marketing, mas, principalmente, que tenha como primeira e maior bandeira a reserva moral que a Família Imperial representa para o Brasil.

Eu e os demais monarquistas que comigo subscrevem esta mensagem, somos e sempre seremos leais à Casa Imperial do Brasil.

Nossa lealdade está fundamentada no fato, difícil, mas necessário, de apontar a Suas Altezas aquilo em que não concordamos e defender abertamente mesmo aquilo em que eventualmente não concordem conosco. Isso é natural. Como dizem, a unanimidade é burra.

Lealdade está em levar aos príncipes aquilo em que acreditamos, que conhecemos e vemos.

Lealdade está em ouvirmos, estarmos abertos para ver e aprender.

Lealdade está em nos propormos a agir e mostrar a Suas Altezas e aos monarquistas que não foram aos nossos encontros como entendemos que se deve agir.

Mas acredito que há muito mais pontos de convergência do que de discordância e, as divergências poucas que existam deverão ser tratadas de forma produtiva e inteligente. Eu confio na nossa capacidade, nossa de todos os monarquistas, de resolvê-las para formarmos um movimento maior, que congregue em torno da Casa Imperial do Brasil todos os monarquistas do Brasil.

Temos que ser humildes e reconhecer que efetivamente, somados os integrantes de todas as organizações, somos poucos diante do universo dos que se dizem ou pensam ser republicanos.

Vemos na história registradas muitas mudanças no rumo das nações causadas por grupos pequenos, mas que de forma organizada souberam levar sua mensagem - boa ou má - ao grosso da população e atingir suas metas políticas.

A mensagem da monarquia é boa, é do bem, é tradicional e moderna ao mesmo tempo e, acima de tudo, é diferente de tudo o que aí está e temos que levá-la adiante.

Nós, monarquistas, temos um dever para com a herança histórica que a forma de governo que defendemos e o trabalho realizado por nossos dois Imperadores, D. Isabel e demais membros da Família Imperial no exílio e depois, sob o peso da cláusula pétrea, realizaram em prol do Brasil.

Aquilo a que chamavam de "questão dinástica" de há muito foi resolvido; para que então mantermos questões entre os monarquistas?

Vamos refletir, mas com nossos corações abertos e espírito confiante.

Vamos dar crédito uns aos outros.

Vamos lembrar a lição do Mestre e perdoarmos setenta vezes sete vezes uns aos outros eventuais erros cometidos.

O Brasil está à espera de uma política maior para levá-lo não somente a um lugar de destaque no concerto das nações, mas para uma condição em que possa exercer sua responsabilidade para com todos os brasileiros e - também - para com todos os cidadãos do mundo, sim, pois nada é por acaso e, se somos essa grande nação, com tantas riquezas e tão grande potencial, um lugar onde todas as etnias convivem em harmonia, é porque temos uma missão de liderar uma nova fase na política mundial, não pela força, mas pelo potencial, pelo exemplo, pelo desenvolvimento.

Se temos esse potencial, é também por dois motivos:

" porque fomos formados sob os auspícios de um governo do bem, aglutinador de todos os potenciais humanos que aqui existiam e para aqui convergiram; e

" temos, como brasileiros, um compromisso com o futuro e esse futuro depende da mais elevada política e nós sabemos que a monarquia será a base, a garantia e o elemento catalisador dessa política.
Unamo-nos, pois, em prol da monarquia, em prol do Brasil.

São Paulo, 15 de março de 2004.

Laerte Lucas Zanetti
Gastão Reis Rodrigues Pereira
Bruno Hellmuth
Roberto Mourão Figueiredo Silva
Roberto Mäder Nobre Machado
Alan Assumpção Morgan
Luiz Costa de Lucca Silva