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Maria Pia , equívocos e certezas Foi publicada e dela fizeram referências alguns órgãos de comunicação, uma biografia de Jean Pailler (militar francês que durante quatro anos foi Adido de Defesa da Embaixada de França em Portugal e que publicou também uma biografia do Rei D. Carlos) intitulada "Maria Pia - a Mulher que queria ser rainha de Portugal". O livro e, sobretudo, a personagem, não mereceriam qualquer referência se o seu reaparecimento inesperado não tivesse causado perplexidade e confusão nos mais desprevenidos e não estivesse servindo a declarados inimigos da Monarquia como arma de ataque à legitimidade dinástica do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, cuja visibilidade tem vindo a aumentar e tanto os incomoda. Maria Pia, que se chamou antes Hilda de Toledano, era filha de uma senhora brasileira, Amélia de Laredó y Múrcia, que viveu temporariamente em Portugal no início do século XX. Neta de um rico "barão" da borracha, teve umas infância e juventude despreocupadas passadas na Europa, nos lugares onde se cruzavam a aristocracia e os burgueses ricos, foi jornalista, escreveu romances, casou com um rico cubano, depois com um general italiano. E pela década de 50 do século passado, começou a aparecer com outro nome - Maria Pia - e a dizer-se filha ilegítima do Rei D. Carlos. Numas "memórias" que publicou em 1957, conta histórias do seu passado com episódios perfeitamente inverossímeis, que pretenderam afirmar a sua filiação e a sua posição. A partir de 1958, conseguiu obter um documento que certificava, baseado apenas em testemunhas que apresentou, que na Igreja de San Fermin, em Madrid - que foi destruída durante a Guerra Civil espanhola, bem como todos os registros nela existentes - foi batizada com o nome de "Maria Pia de Saxe Coburgo-Laredó, da Casa de Bragança de Portugal", filha do Rei D. Carlos e inicia a sua pretensão ao trono português, gastando avultadas somas na manutenção de um estilo de vida que considerava digno dos seus títulos, em viagens e propaganda que enviava para supostos partidários portugueses (nos quais, curiosamente, chegou a incluir confessos republicanos e maçons) intitulando-se Duquesa de Bragança. O resto da sua história rocambolesca tem apenas o interesse dos livros de aventuras. Convém dizer que foi processada várias vezes pelos Duques de Bragança, Senhor D. Duarte Nuno e Senhor D. Duarte Pio e que em 1997 o Supremo Tribunal de Justiça decidiu que Maria Pia devia ser registrada como tendo nascido em Lisboa, filha de pais desconhecidos. No fim da vida, casou com um português muito mais novo para poder ter passaporte português e perante o desinteresse da sua filha nas aventuras e heranças principescas, cedeu os seus "direitos" a um grotesco homem de negócios siciliano. Maria Pia foi uma aventureira, brincou aos reis e rainhas, deu títulos e condecorações carnavalescos, com direitos que nunca teve nem poderia ter tido, foi usada em Portugal pela oposição a Salazar que a deixou cair após o 25 de Abril de 1974 (foi seu advogado em Portugal o Dr. Mário Soares, que sendo Primeiro Ministro em 1975, quando do falecimento do Duque de Bragança, Senhor D. Duarte Nuno, mandou uma pessoa do seu gabinete apresentar condolências em nome do Governo português). Esta a história com fim previsível mas lastimável. Convém, no entanto, para quem nunca tenha ouvido falar desta suposta "duquesa de Bragança", reter algumas certezas: -
Maria Pia, apesar dos documentos que exibiu, obtidos da forma como
o foram e que em nada abona quem os emitiu, nunca conseguiu provar
que era filha do Rei D. Carlos. Texto
de João Mattos e Silva - http://www.monarquia.online.pt |