Manifesto à Nação

Durante um século os monarquistas brasileiros suportaram o silêncio que lhes foi imposto pela antidemocrática cláusula pétrea. Foi a mais longa cassação de direitos de que se tem notícia na história dos povos. Apesar dos 100 anos de esquecimento e de marginalização, e da desigualdade de condições que chegou ao ponto de reduzirem abusivamente o prazo para o esclarecimento do eleitorado, mesmo assim a Monarquia recebeu cerca de 7 milhões de votos no plebiscito de 1993.

Queremos um regime político e um sistema de governo limpos, enxutos e sinceros. Predominância do voto distrital, para que os parlamentares possam ser verdadeiramente escolhidos de forma direta, sem prevalência do poder econômico e dispensados pelos eleitores se deixarem de representar exclusivamente os interesses da sociedade. Um governo sem prazo fixo, que possa ser destituído pelo Parlamento. Um Parlamento de menor tamanho e maior prestígio, sujeito à dissolução pelo Chefe de Estado se deixar de atuar pelos interesses globais do País, com convocação de novas eleições. Uma prática legislativa simples e sem artifícios regimentais.

Uma chefia de Estado permanente, imparcial, identificada com os sentimentos nacionais por injunções naturais, exercidas por quem situado à parte da militância político-partidário, transmitida sem os sobressaltos, as incógnitas, o aventureirismo, as retaliações e as divisões sociais impostas à nação pelas eleições presidenciais.

A Monarquia é exatamente esse regime e esse sistema, transparentes, dignos, respeitados e eficientes. O Rei não se preocupa com eleições, só com os interesses permanentes da sociedade. Somente a Monarquia assegura a existência do éthos nacional, hoje destruído.

O regime republicano transforma a soberania popular numa falácia oficializada que marginaliza os interesses nacionais e só beneficia os ocupantes do poder. Por isso, as 30 nações do mundo pós-moderno que adotam regimes monárquico-constitucionais estão situadas pela ONU entre as líderes em liberdades individuais, democracia social, credibilidade política, estabilidade econômica, desenvolvimento cultural e qualidade de vida.

O BRASIL IMPERIAL, movimento que hoje lançamos, desvinculado de quaisquer outros anteriormente existentes, abre suas portas a quantos queiram somar esforços para a tarefa de, sem imediatismos, nem radicalismos, levar a todos os cidadãos a idéia de um regime histórico, autenticamente brasileiro.

Publicado em 2 de Dezembro de 1994 na Gazeta Mercantil.