Homenagem à Princesa Isabel

Na comemoração dos 160 anos da data de seu nascimento acontecido em 29 de julho de 1846, D. Isabel Christina Leopoldina Augusta Michaela Gabriela Raphaela Gonzaga de Orleans e Bragança, a "Princesa Isabel", foi homenageada pelo Instituto Dona Isabel I, a Redentora (IDII), que promoveu missa de ação de graças na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, estando presentes diversas autoridades políticas, nomes exponenciais de nossa cultura e, também, vários de seus descendentes e membros da família Orleans-e-Bragança, príncipes brasileiros.

Concelebraram a missa o Arcebispo Metropolitano de Niterói, D. Frei Alano Maria Pena (dominicano), o Bispo Diocesano de Petrópolis, D. Filippo Santoro, e D. José Palmeiro Mendes, Abade Emérito de Nossa Senhora de Montserrate (Mosteiro de São Bento do Rio), cerimônia que foi abrilhantada pela participação do Coral e da Orquestra da Universidade Católica de Petrópolis e da Guarda de Honra e Banda de Música do Corpo de Bombeiros.

Desde 1971, o Mausoléu Imperial da Catedral de Petrópolis abriga os restos mortais da Princesa e de seu marido, Gaston de Orleans, príncipe francês mais conhecido no Brasil por seu título de nascimento - Conde d'Eu. Falecida em 1921, D. Isabel foi originalmente enterrada na Capela Real de Dreux, na França.

Quem foi D. Isabel?

Primeira filha mulher do imperador D. Pedro II e da imperatriz D. Thereza Christina, D. Isabel foi aclamada pela Assembléia Geral do Império como herdeira do trono e Princesa Imperial do Brasil ao quatro anos, em 1850, com a morte dos irmãos primogênito e caçula, respectivamente D. Affonso Pedro e D. Pedro Affonso. Aos 14 anos, prestou juramento como Princesa Imperial, no Senado. Mesmo não tendo assumido o trono como imperatriz, em decorrência da instauração da República e do banimento da família imperial, em 1889, ela regeu o país durante a ausência do pai, em três períodos: maio de 1871 a março de 1872, março de 1876 a setembro de 1877 e junho de 1887 a agosto de 1888. Neste último, assinou a Lei Áurea, que tornava livres e alçava à categoria de cidadãos brasileiros os cerca de 700 mil escravos existentes no país.

A chamada libertação dos escravos aparece nos escritos de José Bonifácio, ainda nos tempos da Independência do Brasil, na década de 1820, e perpassa os discursos de abolicionistas como o Visconde do Rio Branco, Joaquim Nabuco e André Rebouças, até os anos 1880.

O próprio D. Pedro II defendia com veemência o término do cativeiro e a adoção de práticas assalariadas de trabalho, nos discursos de abertura e fechamento do ano legislativo, na Assembléia Geral do Império, mas de forma gradual e apenas com o apoio do Parlamento, de modo a respeitar o modelo de monarquia constitucional, em que era Chefe de Estado e não de Governo.

O fim da escravidão e a chamada "redenção do Brasil" e da própria Monarquia levaria, contudo, ao fim desta própria. A abolição incondicional, sem indenização aos senhores de escravos, fez com que as oligarquias rurais passassem a apoiar o golpe militar que deu origem à República. "Se mil outros tronos eu tivesse, mil eu perderia para por fim à escravidão!", declarou D. Isabel, antes de morrer, em 1921, aos 75 anos, em exílio na França.

A Família Imperial brasileira

A mesma família que em 1808 aportou no Rio de Janeiro com festas grandiosas, onde atualmente fica a "Praça XV", foi expulsa do Brasil na madrugada de 16/17 de novembro de 1889, no mesmíssimo lugar... Os Príncipes de Bragança reinaram aqui como soberanos do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 1815 a 1822 e, depois, como Imperadores do Brasil, de 1822 a 1889. Em 2008, um sem-número de instituições de todo o país irá comemorar o Bicentenário da vinda da Corte Portuguesa ao Brasil e, neste sentido, as festas pelos 160 anos de D. Isabel de Bragança inauguram as comemorações.

Mesmo exilada, ela foi reconhecida Chefe da Casa Imperial e Imperatriz de direito do Brasil (D. ISABEL I), em 1891, em Paris, pela representação dos estadistas e nobres brasileiros que a acompanhavam no momento da morte de D. Pedro II.

Desse modo, os quatro filhos originados do casamento com o Conde d'Eu, bem como os demais descendentes, teriam direito sucessório legítimo ao trono brasileiro, caso a Monarquia fosse restaurada. D. Luiza Victoria, D. Pedro de Alcântara, D. Luiz e D. Antonio - nomeados pela ordem de nascimento - foram os primeiros Orleans-e-Bragança, junção do nome do pai e da mãe. Somente D. Pedro e D. Luiz tiveram descendência.

A atual Família Imperial brasileira é representada notadamente pelo Chefe da Casa Imperial, D. Luiz, nascido em 1938, residente em São Paulo. Ele é o neto homônimo de D. Luiz e é bisneto e sucessor da Redentora. Dois netos dela ainda vivem: D. Pedro Gastão, nascido em 1913 e residente na Espanha, onde faleceu ano passado sua esposa, D. Esperanza de Bourbon, tia do Rei D. Juan Carlos e D. Thereza, nascida em 1919, viúva de um industrial português e residente em Estoril.