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Império - Historicamente denominam-se Impérios os Estados subordinados a um potentado, que subordina vários outros sob o seu comando. É o caso dos velhos impérios da Antigüidade (babilônico, persa, egípcio etc). Na Língua Latina, havia menção à figura do Imperador como sendo aquele que detinha Imperium, ou simplesmente, poder, mando supremo. Grandes generais foram "imperadores" na velha Roma, sem que houvesse, com isso, a noção de que eles fossem os chefes do Estado. Somente a partir de Otávio, sobrinho de Caio Júlio César, é que o nome Imperator foi associado aos do soberano romano, ficando as denominações de Imperator, Caesar, Augustus acopladas a seu nome de reinado.

No mundo europeu medieval, a figura do Imperador foi encarnada no chefe do chamado Sacro Império Romano-Germânico, constelação de Estados monárquicos ou aristocráticos de médio e pequeno porte sob a tutela (cetro) de um único Soberano - cuja etimologia significa "aquele que está acima de tudo". Tal monarca era eleito dentre os príncipes que compunham o Império. O Sacro Império era herdeiro da monarquia de Carlos Magno, que é considerado "Carlos I" tanto pelos franceses quanto pelos alemães. As sucessivas subdivisões de seus domínios por seus descentes deram lugar a uma ampliação do poder dos pequenos chefes locais, que nunca mais foram realinhados com um poder central da forma como haviam sido com Carlos Magno. Ainda assim, o Sacro Império Romano-Germânico manteve-se como confederação pujante e reuniu uma infinidade de reinos e grandes feudos até o desmoronamento do mundo medieval e a crescente fortificação dos Estados Nacionais e a ampliação do capitalismo mercantil. Ele se manteve, nominalmente, até 1806, quando Napoleão Bonaparte o suprimiu.

Desde o século XVI, o Sacro Imperador vinha sendo "eleito" somente na Casa de Habsburg - a mais importante e poderosa dinastia européia de todos os tempos - e o título, em princípios do século XIX, com um mundo já atordoado pela Revolução Francesa e suas conseqüências, não passava de uma reminiscência mantida pelo tradicionalismo ferrenho e metódico dos governantes austríacos.

Houve várias outras formas de Estados monárquicos organizados sob a nomenclatura imperial. Citemos, à guisa de exemplo, o Império Otomano, dissolvido após a I Guerra Mundial e onde reinaram os Grão-Sultões turcos da Casa de Osman - que também somavam à condição de Imperadores a de Califas do Islã; o Império Alemão, justamente chamado de II Reich, para que não fosse confundido com o I Reich ("Sacro Império") e que foi dominado pela dinastia prussiana Hohenzollern. Na América do Sul, tivemos os históricos impérios pré-colombianos (Incaico e Asteca), mas também a organização monárquica dos Maias, todos infelizmente desaparecidos com a colonização espanhola. O México moderno conheceu ainda o efêmero Império de Dom Maximiliano I (nascido Arquiduque Ferdinand Maximilian da Áustria) - 1863-67. No caso da adoção da categoria imperial pelo Brasil recém-emancipado, em setembro de 1822, há discussões a respeito.

As dimensões continentais do país contaram muito nas apreciações de nosso Patriarca da Independência, José Bonifácio, que acabou convencendo D. Pedro da propriedade da terminologia, que continha em si a óbvia acepção de soberania da Corte (Rio de Janeiro), acima das demais Províncias, algo fundamental no processo de fortificação do Estado Nacional brasileiro então criado. Além disso, a Princesa Real consorte que seria coroada junto a D. Pedro era D. Maria Leopoldina, que era a filha, justamente, do último Sacro Imperador e primeiro Imperador hereditário da Áustria, Franz I. Como arquiduquesa de origem, ela era a Imperatriz ideal para a necessária "auto-afirmação" do Império que nascia em terras sul-americanas, onde seus ancestrais e os de seu marido, já haviam sido os "imperadores", nominalmente.

A noção de Império - e suas idéias correlatas de neo-imperialismo e neocolonialismo - serve ainda como sinônimo das máquinas de dominação administrativa dos povos africanos, asiáticos, oceânicos e americanos pelos Estados Nacionais europeus. Mais tarde, na transição do XIX para o XX, também o Japão começará a implementar políticas chamadas imperialistas. O termo imperialista acaba sendo infeliz para os movimentos monarquistas brasileiros, por exemplo, pois se dá a confusões com aqueles que advogam a volta do Estado Imperial brasileiro. Atualmente, o único Chefe de Estado reinante que tem a dignidade imperial é Akihito I, do Japão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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