Formas de Estado e sistemas de governo

Sem dúvida, não há regime perfeito, entretanto alguns funcionam melhor do que outros. Olhando o mapa mundi verificaremos que, de forma geral, os regimes monárquicos funcionam melhor. Até em uma monarquia absolutista, como qualquer um dos Emirados Árabes, a qualidade de vida é bem superior de seus vizinhos árabes republicanos (e os dois lados têm petróleo). Anualmente, diversas entidades européias, americanas e a própria ONU divulgam índices de qualidade de vida, de liberdade econômica, de liberdades democráticas, e desenvolvimento humano, etc., onde dos dez primeiros invariavelmente sete são monarquias. Se estendermos a lista para os 20 primeiros, 11/13 são monarquias.

Se entendermos o conceito Estado vis-à-vis Governo entenderemos porque a monarquia dar melhor resultado. O Estado, por sua natureza é perene. Inversamente, Governos são temporários. O Governo por ser temporário jamais deveria ficar "engessado" em períodos estanques de quatro ou cinco anos como o é no presidencialismo. Esta temporalidade precisa de flexibilização. Se o Governo for bom, fica seis, oito, 10 ou mais anos [Os Conservadores do Reino Unido foram governo por 14 anos; os Sociais Democratas 18 anos na Alemanha e os Trabalhistas 13 anos na Espanha]. Se for ruim, precisa ser substituído. Razão pela qual o parlamentarismo, com a exceção dos EUA, é o regime adotado pelos países líderes mundiais.

O Estado, por sua vez, por ser perene jamais poderá se sujeitar aos humores e bel prazeres de um chefe de Estado político e temporário sem qualquer qualificação para o cargo para períodos estanques de quatro ou cinco anos. Enquanto a maior preocupação de qualquer Governo é a próxima eleição, o Estado está sempre voltado às próximas gerações, razão pela qual é essencial que a chefia de Estado seja exercida em caráter vitalício, e, hereditário por uma figura apartidária e apolítica, ou seja, o quarto poder - Poder Moderador. Políticos necessitam de um freio aos seus desejos ignóbeis.

O regime republicano é incompatível com a plena democracia. Montesquieu (1689-1755), no papel, é lindo. Na prática, não funciona. Sem o Poder Moderador, imaginado pelo suíço Henri-Benjamin Constant de Rebecque (1767-1830) e brilhantemente incorporado na Constituição Imperial por D. Pedro I como o quarto Poder, de uma Chefia de Estado apolítico, apartidário, independente, hereditário e vitalício, capaz de manter o equilíbrio e harmonia entre os três poderes tradicionais - Judiciário, Executivo e Legislativo, a república jamais oferecerá total estabilidade institucional - estaremos sempre procurando o menos pior para nos governar, com as conseqüências já conhecidas.
Texto produzido por Alan Assumpção Morgan, consultor empresarial, estudioso da monarquia e vice- presidente e secretário do Brasil Imperial.