República,
no Brasil é a desgraça completa
Jorge
Bitar
O
primeiro presidente do Brasil, marechal Deodoro da Fonseca, em apenas
dois anos de mandato acabou renunciando, para não ser deposto.
Era a concretização do ele havia previsto em carta
ao sobrinho Clodoaldo: "República, no Brasil é
a desgraça completa". Seu arrependimento pelo golpe
de Estado militar que chefiara foi tamanho, que exigiu ser enterrado
em trajes civis.
Rui Barbosa, em discurso histórico no senado em 1914, arrependido
concluiu: "O mal grandíssimo e irremediável das
instituições republicanas, é deixarem o primeiro
lugar do Estado exposto à ilimitada concorrência das
ambições menos dignas, e desse modo condená-lo
a ser ocupado, em regra, por mediocridades". Outro arrependido,
Quintino Bocaiúva indagou: "Porque o povo não
corta o pescoço de todos os que contribuíram para
a República, inclusive eu?". Silva Jardim suicidou-se,
atirando-se na cratera do vulcão Vesúvio, em Nápoles,
onde era cônsul-geral do Brasil, nomeado pelo governo republicano.
Por fim, essa data - 15 de novembro - não passa de um mero
feriado, que nem é comemorado. Em resumo, o professor Pasquale
Cipro Neto (consultor de língua portuguesa) expressou bem
o resultado disso tudo: "Seja lá qual for a sua maneira
de aproveitar o feriadão, lembre-se de que se comemora o
fato de um dia termos deixado de ser um Império para passarmos
a ser uma oligarquia, êpa (ato falho)..."
Jorge
Bitar - Nota enviada a páginas dos leitores, em diversos
jornais