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Os abaixo inscritos reuniram-se em São Paulo capital, nos dias
22 e 23 de fevereiro de 2003, movidos pelo mesmo espírito de
união e de livre troca de idéias, para avaliar a repercussão
e dar prosseguimento aos temas debatidos e às ações
propostas na Carta de Petrópolis, resultante do nosso primeiro
Encontro Monárquico em 23 e 24 de novembro de 2002. Foi mantido
o mesmo formato de oficina de trabalho em função dos resultados
animadores obtidos anteriormente e de nossa preocupação
em implementar ações práticas na divulgação
da retomada do Movimento Monarquista (MM) em novas bases num espaço
de tempo tão curto quanto o permitirem as circunstâncias
que nos envolvem e as dificuldades a serem superadas no plano financeiro-organizacional.
E ainda no consenso em torno do nome do príncipe (ou príncipes)
a ser preparado para assumir a Chefia de Estado, com o devido conhecimento
e acompanhamento pela opinião pública brasileira, num
prazo de aproximadamente 15 anos.
O Encontro de São Paulo foi aberto dando-se as boas-vindas aos
participantes, cujo número foi superior ao dobro dos presentes
ao de Petrópolis. Este último começou mostrando-se,
através de um vídeo, a importância crítica
de se dotar o MM de uma inspiradora visão de futuro, sempre presente
no berço das grandes civilizações, ainda que à
época elas não dispusessem dos instrumentos e dos recursos
de que necessitavam para chegar aonde se propunham. Tinham apenas o
sonho e uma dura realidade a ser trabalhada. Exatamente como nós,
monarquistas brasileiros, nos encontramos hoje. O vídeo nos alertou
para não cair na velha tentação de fazer o futuro
e o presente se curvarem diante do passado, como se a solução
pudesse surgir desse processo pouco criativo e nada inovador.
Em
São Paulo, logo de início, foi abordado, como um segundo
fator crítico de sucesso, o tema da inteligência emocional,
através de um vídeo de Daniel Goleman. Aristóteles
nos ensina que "qualquer um pode ficar zangado - isto é
fácil. Mas ficar zangado com a pessoa certa, na medida certa,
no tempo certo, pela razão certa, e de modo certo - isto não
é fácil".Como se pode constatar, ele tinha inteligência
emocional de sobra, ou seja, a capacidade de controlar os impulsos,
de entender as pessoas e de lidar com as relações interpessoais
com tranqüilidade.
Ainda na fase das apresentações individuais, o arquiteto
e pesquisador de história, sr. Anibal de Almeida Fernandes, nos
conclamou a ter em mente que o importante é levar em conta "o
que os outros pensam, e não, o que nós pensamos".
Sem inteligência emocional, não se faz isso. Virarmo-nos
para fora é condição sine qua non de nosso
sucesso. Peter Drucker nos faz, nessa linha, uma advertência:
"Uma organização precisa trazer novas pessoas com
novos pontos de vista, com bastante freqüência. Se apenas
promove os de dentro, em breve poderá vir a se tornar estéril.
(...) Não prestará atenção ao que se passa
fora da organização. Perderá, assim, contato com
a realidade, a única área em que há resultados.
Porque as pressões sempre favorecem o que se passa dentro da
organização. Sempre favorecem o que aconteceu, contra
o futuro; a crise, contra a oportunidade; o imediato e o visível,
contra o real; o urgente, contra o relevante".Torna-se, assim,
evidente a importância de convidar formadores de opinião
pública, mesmo que pagos, para debater conosco por que não
são monarquistas ou se a monarquia ainda é uma alternativa
viável.
O
aprendizado mútuo será espetacular. Eles terão
a oportunidade de ver a monarquia e os monarquistas com outros olhos,
em função da informação de boa qualidade
que receberão. E nós teremos clara noção
dos obstáculos a serem superados. O efeito multiplicador desse
processo junto aos meios de comunicação dispensa comentários.
Na avaliação que foi feita da repercussão da Carta
de Petrópolis, houve amplo consenso de que atingiu seu objetivo
de levar a todos a repensar as bases com que o MM vem sendo conduzido.
Ela foi, na avaliação geral, muito bem recebida por todos
os segmentos que mantêm viva a chama da luta pela Causa Monárquica.
As linhas de ação propostas foram analisadas uma a uma
para ressaltar a correção de rumo que se impõe
para chegarmos a bom termo. Nossa fragmentação precisa
dar lugar a uma ampla união de todos os monarquistas, que felizmente
começa a se esboçar. O plano estratégico, movido
por uma inspiradora visão do futuro, já vinha sendo esboçado
desde o Encontro de Petrópolis, tendo sido apresentada uma versão
preliminar, que surpreendeu favoravelmente os participantes, no segundo
dia do Encontro em São Paulo.
A
percepção de que a legitimidade também deve estar
a serviço da Causa está abrindo caminhos alternativos
para avançarmos, livrando-nos do beco sem saída em que
estávamos estacionados. A questão crítica da educação
do futuro monarca como assunto de Estado foi percebida por alguns como
interferência indevida na esfera familiar imperial, quando o âmago
da questão é a preparação de um - de preferência,
mais de um - príncipe para exercer a Chefia de Estado. Definitivamente
isto não pode ser feito em âmbito estritamente familiar
sob pena de total isolamento deste príncipe face à Nação
Brasileira. Mais grave ainda: impede que se construa as bases de uma
futura aclamação, que não cairá pura e simplesmente
dos céus. A separação da Chefia de Governo (liderança
do MM) da Chefia de Estado (Família Imperial) precisa ser posta
em prática desde já. Não podemos adotar uma espécie
de modelo absolutista hoje para só depois incorporar práticas
democráticas de governo, em que este é escolhido pelo
voto popular, e não por indicação impositiva do
monarca. A Chefia da Casa Imperial exerceria o poder moderador dentro
dessa visão moderna. Finalmente, mas nem por isso menos importante,
foi comunicado aos presentes um estratagema prático de se estabelecer
contato com milhares de monarquistas para a alavancagem financeira do
MM em bases permanentes.
A chegada do Deputado Cunha Bueno ao Encontro foi recebida com uma salva
de palmas. Foi um belo exemplo de aglutinação de forças
na retomada do MM, que necessita ser fortalecido pela volta à
luta de antigos combatentes e pela adesão de milhões de
Brasileiro (a)s a serem conquistado (a)s por nossa capacidade de organização
e de oferecer uma alternativa viável de governo responsável
ao País. Ao abordar a questão do quadro político
na retomada do MM, ele deixou claro as imensas dificuldades que teremos
pela frente. Foi incisivo quanto ao fato de que não estamos lutando
pela restauração de uma monarquia baseada no direito divino
dos reis. Relembrou-nos de que a Constituição Imperial
já regulava a matéria ao prever o reconhecimento formal
com lei específica aprovada pelo Parlamento, vale dizer, pelos
representantes do povo. Assim se deu com Pedro II, com a princesa Isabel
e com o último príncipe imperial renunciante. O reconhecimento
é a maneira que o povo tem de afastar o príncipe louco
ou incapaz, que não tem condições mínimas
de servir à Nação. Nessa linha, é preciso
saber primeiro se a Nação quer o parlamentarismo e a monarquia.
A proposta de 1993 continua na ordem do dia. Retomá-la junto
à opinião pública exigirá extrema habilidade.
Afirmou ainda que o trono não é um direito patrimonial,
mas uma delegação que a Nação faz a uma
família. A comprovação desse processo se dá
quando uma dinastia se extingue e outra tem que ser aclamada pela Nação.
Ou ainda quando uma nova dinastia é aclamada mesmo que a anterior
continue a existir, justamente por esta última ter perdido a
sintonia com os anseios mais profundos da Nação.
Em sua visão, a parte mais importante da Carta de Petrópolis
é a que refere à educação do futuro monarca.
Defendeu a posição de que príncipes jovens devam
ser preparados para a futura Chefia de Estado. Educar os príncipes
é a garantia da manutenção da dinastia. Manifestou-se
contra a criação de um partido político no atual
estágio tanto pelos pesados encargos financeiros que acarreta
quanto pelos perigos de contaminar a Causa com propostas de cunho político-partidário,
fugindo às de cunho institucional, que devem ser o nosso norte.
Contou-nos ainda que estivera recentemente com o embaixador chinês
na inauguração da Exposição sobre a China
no Parque Ibirapuera. Ele lhe dissera que o ideograma chinês para
a palavra crise é formado por dois outros que significam perigo
e oportunidade. Situação muito próxima a que vivemos
no momento e que nos recomenda estarmos preparados para quando a oportunidade
surgir, de tal forma que a boa sorte não nos fuja por entre os
dedos mais uma vez.
A questão relacionada ao gerenciamento da mídia na retomada
do MM foi abordada dando-se ênfase à necessidade de desenvolvermos
a capacidade de gerar fatos políticos com base na defesa do parlamentarismo
monárquico como instrumento de moralização da vida
político-partidária do País. Foi levantada a questão
de a monarquia poder apresentar um (ou mais de um) príncipe jovem
à Nação, que estará sendo preparado para
assumir futuramente a Chefia de Estado. Foi ressaltado o fato de o brasileiro
votar em cara, e não, em partidos. E que esse fator tem que ser
levado em consideração nas atuais circunstâncias.
Na verdade, na ausência de fidelidade partidária (e de
outros requisitos legais para uma vida político-partidária
saudável), o eleitor brasileiro percebe claramente que cada um
dos 513 deputados federais e 81 senadores é o seu próprio
partidinho, negociando e barganhando em proveito próprio cada
uma das propostas governamentais que chegam ao Congresso Nacional. O
eleitor, que não é bobo, acaba votando em caras, que lhe
pareçam mais sérias e honestas, já que não
existem programas partidários que possam ser levados avante de
forma coerente e efetiva. O emperramento de reformas críticas
para a retomada do crescimento, como a previdenciária e a tributária
ao longo de tantos anos, fala por si só. Dá bem a medida
de onde foi parar o interesse público.
Na avaliação das alternativas organizacionais a serem
consideradas para dar forma legal ao MM, foram consideradas a OSCIP
- Organização da Sociedade Civil de Interesse Público
(Lei 9.790/99), a criação de uma fundação
ou a formação de uma frente ampla (ou de um movimento
unificado). Concluiu-se que uma única entidade não resolverá
todos os nossos problemas. A OSCIP é uma espécie de ONG
devidamente regulamentada pela legislação brasileira.
Poderia ser usada para questões referentes à revisão
histórica que se faz tão necessária para restabelecer
o respeito aos fatos em relação aos quatro séculos
em que o Brasil foi uma monarquia. Para outros propósitos, fugiria
ao que a legislação permite. Uma fundação
poderá ser usada para fins de educação, inclusive
a destinada ao preparo do(s) príncipe(s) para o exercício
da Chefia de Estado no futuro. A parte de proselitismo político
a favor da Causa se encaixa melhor num movimento tipo monarquistas unidos
em defesa do parlamentarismo monárquico ou numa frente ampla.
A
presença de mais de uma entidade na luta em prol da Causa - sem
excluir a criação de uma entidade central de coordenação
- permite montar uma organização em rede, bem mais resistente
aos abalos que certamente virão, do que uma única entidade
fortemente hierarquizada. Tendo em vista a escassez de recursos disponíveis,
é extremamente importante que as entidades já existentes
dialoguem entre si no sentido de distribuir tarefas, evitando chover
no molhado. Em momento algum, perdeu-se de vista o vetor financeiro,
cuja capacidade de viabilizar os demais é fundamental para dar
continuidade à luta. Para tanto foram sugeridos estudos abalizados
de viabilidade econômico-financeira das iniciativas propostas.
Na discussão dos contrapontos da análise SWOT (pontos
fortes, fracos, oportunidades e ameaças) aplicada à Causa
monárquica, avançamos em direção à
intensificação dos pontos fortes, ao fortalecimento dos
pontos fracos, ao aproveitamento das oportunidades existentes e à
neutralização das ameaças que nos rondam. Como
resultado, foram estabelecidas as seguintes metas que bem poderão
nortear o MM:
1.
Unir o Movimento Monárquico Brasileiro no plano de suas entidades
e militantes;
2. Restaurar a auto-estima, dignidade e honra do (a)s Brasileiro (a)s;
3. Obter recursos financeiros permanentes para dar sustentação
à luta pela Causa;
4. Propagar a Causa junto a outros movimentos civis e a todos os segmentos
sociais;
5. Tornar real a inclusão social e o exercício pleno
da cidadania, em especial do negro;
6. Colocar um príncipe da Casa de Bragança na Chefia
de Estado dentro de 15 anos;
7. Intensificar encontros, debates e palestras com não-monarquistas;
8. Criar um Instituto de Formação Monárquica
para estruturar seminários e outros temas;
9. Arregimentar formadores de opinião pública em defesa
da Causa;
10. Utilizar plenamente os recursos da internet na divulgação
da Causa;
11. Dotar o MM de um jornal profissional publicado regularmente e
12. Tornar conhecida do grande público a proposta político-institucional
do MM
A primeira
tentativa de fazer um debate com um não-monarquista foi substituída
por uma sessão de brain storming em que os presentes se
dispuseram a fazer perguntas espinhosas sobre a monarquia seguidas de
respostas incisivas. A acusação de que todo o ouro brasileiro
teria sido levado para Portugal foi respondida lembrando que Dom João
VI trouxe para o Brasil reservas de cerca de 22 milhões de libras
esterlinas, o equivalente à metade do meio circulante português
na época. Se deixadas em Portugal, teriam sido levadas pelo general
francês Junot para o tesouro francês. Vale lembrar que,
ao retornar para Portugal, Dom João VI não levou mais
que 6 milhões de libras esterlinas. À questão de
que o Brasil não tem mais estrutura para ser uma monarquia contrapôs-se
a estrutura sólida de defesa do interesse público deixada
pela monarquia, que a república brasileira desmontou sem colocar
nada de equivalente no lugar até hoje. Os receios em relação
a um mau rei foram dissipados argumentando-se que o rei não teria
funções executivas, que não cabem no âmbito
das atribuições da Chefia de Estado.
O
que interessa, como nos ensina Karl Popper, é que maus governos
durem pouco. E não se as figuras ideais para comandar governos
são aristocratas, operários, intelectuais, filósofos
ou poetas. A dissolução do Parlamento, permitida pela
constituição imperial, punha um fim rápido aos
maus governos. Uma nova concepção do poder moderador como
a voz do povo permitiria consultá-lo antes de dissolver o Parlamento
ou para convocar plebiscitos para decidir reformas que os interesses
partidários e corporativos impedem de ser realizadas, sufocando
o interesse público. Voltar-se-ia à prática de
que quando um governo (gabinete) não goza mais da confiança
popular, ele cai. Não é necessário provar nada
na justiça, tantas vezes usada na república presidencialista
como um subterfúgio para nada resolver e afrontar a opinião
pública impotente diante dos desmandos de homens públicos
comprometidos apenas com seus interesses pessoais. O pior que poderia
acontecer seria o rei não convocar um plebiscito para pôr
fim a um mau governo, permitindo que fosse até o fim do mandato
de quatro anos. De toda forma, isso é o que já acontece
no sistema presidencialista atual, com o qual convivemos secularmente
sem nos dar conta desse absurdo, tendo que engolir o sapo resignadamente
até o fim dos quatro anos de mandato.
No segundo dia do Encontro, foi lida a contribuição por
escrito enviada pelo Prof. Paulo Napoleão Nogueira da Silva que
via com bons olhos a união em torno de Dom Pedro Luis, filho
de Dom Antonio, como príncipe a ser preparado para assumir futuramente
a Chefia de Estado. Em sua visão, é fundamental que os
monarquistas brasileiros façam uma opção e se unam
em torno de um Pretendente oriundo da Casa de Bragança, desde
que haja concordância da parte dele. Além disso, ter cultura
monárquica, ser jovem e aberto a todas as correntes e idéias
seriam pré-requisitos indispensáveis para dar à
monarquia uma cara moderna.
Houve, entre os presentes, simpatia generalizada em relação
a Dom Pedro Luis, tanto pela educação que vem recebendo
quanto pela possibilidade de unir o MM em torno de um Pretendente que
reúne condições, inclusive de idade, para transformar
o sonho em realidade.
Foi levantada e debatida em maior profundidade a questão da aclamação.
Em monarquias em funcionamento, a população acompanha
e participa intensamente do nascimento de um príncipe herdeiro.
Sua trajetória de vida, desde a infância, passando pela
juventude e mesmo na vida adulta, é seguida com extremo interesse
pela população em geral. Chegado o momento da aclamação,
ela se dá de forma natural pelo envolvimento dos corações
e das mentes de todos em torno do futuro rei ou imperador. Em monarquias
destronadas, esses fatores não estão presentes no dia-a-dia
do país. É preciso criar esse envolvimento afetivo da
população com o Pretendente ao trono. Sem fazer esse dever
de casa antes, qualquer príncipe pronto e acabado apresentado
ao povo de cima para baixo vai parecer um corpo estranho à sociedade
brasileira, tornando-se politicamente inviável, pouco importando
quão legítimo seja.
O período de 15 anos proposto para educar o Pretendente permitiria
criar as condições para que a Nação Brasileira
se habituasse a ver nele seu futuro monarca. Príncipes nascem,
mas grandes príncipes se constróem. Exatamente como qualquer
um de nós tem que se preparar para enfrentar os desafios da vida.
Nós, monarquistas brasileiros, já adquirimos o direito
histórico de falar com autoridade e fazer acontecer em matéria
de preparar um príncipe para exercer a Chefia de Estado desde
a época de Pedro II e de suas irmãs. Os órfãos
da Nação foram criados pela grande Família Brasileira
como se seus filhos fossem. A ausência dos pais não impediu
que sua educação fosse tratada no mais alto nível
com resultados que ainda hoje nos enchem de justo orgulho diante do
mundo. E ânimo para a tarefa semelhante que se impõe nesse
momento tão delicado vivido por um Brasil que parece sem perspectivas.
Restabelecer a primazia do interesse público na perspectiva da
plena responsabilidade social é uma tarefa a que precisamos dar
continuidade desde que foi interrompido o grande sonho da Princesa Isabel,
que certamente ia muito além de uma abolição meramente
formal da escravidão. Os planos de governo do gabinete Ouro Preto,
o último da monarquia, não deixavam dúvidas quanto
às condições básicas a serem criadas para
o pleno exercício da cidadania pelos libertos. Exatamente como
defendia o grande Joaquim Nabuco por saber que era preciso ir muito
além.
Preparar as bases da futura aclamação de um príncipe
da Casa de Bragança e educá-lo para o exercício
da Chefia de Estado passarão pela retomada do grande sonho da
Princesa Isabel - um Brasil livre, democrático, próspero
e em paz. Conduzir com tal grau de seriedade esse processo de reencontro
do Brasil consigo mesmo certamente sensibilizará a opinião
pública brasileira. E dará ao Pretendente o tempo de que
necessita para preparar-se, deixando-o à vontade inclusive para
dizer de público, quando for o caso, que ainda não se
sente devidamente informado e habilitado para emitir opinião
sobre questões que continua estudando em maior profundidade.
Será também uma oportunidade de demonstrar à opinião
pública que é preciso pôr um ponto final à
leviandade com que temas de interesse nacional são tratados na
atual desconjuntura.
De
toda forma, deverá deixar claro que sua opinião pessoal
sobre determinado tema jamais impedirá que a voz do povo, respaldada
democraticamente pelo voto livre, seja ouvida e acatada. Que ele será
a garantia desse respeito entranhado ao interesse público. E
que também saberá respeitar com naturalidade as posições
e ações políticas de partidos majoritários,
eleitos democraticamente, no Parlamento. Mais que isso: que o MM está
estruturado dessa forma desde já por mera questão de coerência
imediata entre o dizer e o fazer. Trata-se, portanto, de preparar o
príncipe e de preparar a Nação para a monarquia,
deixando claro que temos solução para o vácuo institucional
em que nos debatemos. Vale lembrar que a flexibilidade da monarquia
é de tal ordem que o rei belga, no final de século passado,
deixou de sê-lo por um dia para que determinada lei aprovada pelo
Parlamento fosse assinada pelo Primeiro-Ministro e entrasse em vigor
em virtude de ter alegado questão de convicção
íntima para não sancioná-la.
Todo esse processo envolverá certamente um grande debate nacional
em torno da opção consciente pela monarquia. Será
também uma oportunidade para fazer com que nossos políticos
reaprendam a enfrentar debates com naturalidade. Já tivemos,
mais de uma vez, candidatos à presidência que pediam debates
quando estavam por baixo e que deles fugiam assim que as pesquisas os
colocavam na dianteira. É preciso mostrar à opinião
pública que o Parlamento monárquico voltará a ser
uma escola de Estadistas. Políticos de forte liderança
e criatividade, mas habituados a prestar contas regulares de seus atos
aos questionamentos da opinião pública, da oposição
e do próprio monarca. Políticos que saberão de
antemão que não poderão contar com a vista grossa
do soberano diante da corrupção e de desmandos administrativos
porque o gabinete poderá cair tão logo lhes falte a confiança
popular. Políticos cujos interesses menores não se escondam
atrás de um mandato inabalável de quatro anos. Esse processo
permitirá a volta da prática da oposição
leal, capaz de enxergar além de seu interesse partidário
imediato.
Nesses
últimos anos foi isso que aconteceu. Um partido fora do poder
manteve reformas urgentes - a tributária e a previdenciária
- na prateleira durante anos para depois tentar desengavetá-las
tão logo assumiu o poder, embora soubesse que eram necessárias
há muito tempo e que a Nação teria que amargar
os prejuízos causados por seus interesses partidários
de ter a iniciativa.
A apresentação da versão preliminar do planejamento
estratégico do MM foi alvo de elogios generalizados dos presentes.
Partindo da visão de ser reconhecido como um movimento que luta
para devolver ao Brasileiro (a)s sua auto-estima, dignidade e honra;
da missão de implantar o parlamentarismo monárquico no
Brasil através de ações e atitudes sintonizadas
com os diversos segmentos da sociedade brasileira e das metas anteriormente
estabelecidas, foi proposta uma estrutura flexível e ágil
de organização do movimento, que incluiu um sistema de
controle operacional e os próximos passos a serem dados. O mais
importante deles seria a validação do que foi proposto
num fórum mais amplo, em que estivessem presentes, na medida
do possível, representantes de todas as regiões do país,
bem como de entidades representativas de todos os movimentos monárquicos
existentes.
O
próximo Encontro do Rio de Janeiro, a ser realizado nos dias
20 e 21 de junho próximo, será uma oportunidade para criar
as bases da união do MM em que todos se sentarão em volta
de uma mesa, pondo de lado divergências que nos enfraquecem e
multiplicando nossos muitos pontos em comum, que serão nossa
força. Foram também criados, com a designação
de responsáveis, os seguintes núcleos: estratégico,
de mídia, de informação, o jurídico e o
de finanças com prazos para levar a termo suas tarefas.
Nesse momento de construção de nossa união em torno
de um Pretendente ao trono, é fundamental, a exemplo do princípio
que vigora até dentro de exércitos, que discordância
não deve ser tratada como deslealdade e que caminhos alternativos
para chegar ao mesmo porto podem e devem ser percorridos quando o bem
maior do Brasil está em jogo.
Que o mesmo espírito de entusiasmo que dominou a avaliação
final do encontro em São Paulo esteja presente no do Rio de Janeiro
para, mais uma vez, dar um testemunho às palavras finais de Laerte
Lucas Zanetti: "A monarquia não é elitista, mas elevada".
Até porque a monarquia brasileira soube - e saberá - formar
elites que servem ao País e não que dele se servem, como
reconheceu, trinta anos depois de 1889, o desiludido republicano Rui
Barbosa. Elites que para as quais o peso dos deveres deverá ser
o dobro ou o triplo de seus direitos. E que a república nunca
conseguiu formar. Que a paz esteja conosco e com o mundo.
São Paulo,
22 de março de 2003
| Gastão
Reis Rodrigues Pereira |
Aldo
Campagnola |
| Alan
Assumpção Morgan |
Anibal
de Almeida Fernandes |
| Roberto
Mourão Figueiredo Silva |
Cassio
Ravaglia |
| Roberto
R. Mäder Nobre Machado |
Celso
Mantovani |
| Luiz
Costa de Lucca Silva |
Cristiane
Neder |
| Laerte
Lucas Zanetti |
Fernando
Bolzoni |
| Mario
de Freitas Esteves |
João
Alfredo Castello Branco |
| Gumercindo
Rocha Dorea |
Manoel
Vieira Filho |
| Armando
Sampaio Rezende Jr. |
Walter
Jacques Gomes da Rocha |
| Roberto
Coimbra Antonio Henrique Cunha Bueno |
|
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