

| Carta de Petrópolis | |||||||||||
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Buscamos balizar nossas conclusões e propostas levando em conta nossos pontos fortes e fracos, as oportunidades existentes e as ameaças que nos rondam, internas e externas. Dentro desta linha de pensamento e dinâmica de trabalho, chegamos a um consenso em torno dos seguintes pontos:
Dedicamos muita atenção ao último item referente à autonomia financeira do MM por ser ele o divisor de águas entre uma atuação amadora e outra, como precisa e deve ser, de cunho profissional. A trajetória do PT, que soube inclusive se estruturar financeiramente, bem demonstra como uma organização política pode chegar ao poder num período de tempo relativamente curto. Existem formas e modos éticos e lícitos de angariar recursos financeiros para o MM dando em troca produtos e serviços úteis e legítimos a todos que contribuírem para com a Causa. É fundamental que o futuro monarca, integrante da linha legitimista, receba uma educação a ser tratada como assunto de Estado e não meramente como assunto exclusivo da Família Imperial. Esta é a única maneira de envolver o coração e a mente de cada brasileiro nesse processo. Caberia a um Conselho Monárquico, formado por representantes dos diversos setores da sociedade brasileira, auxiliar a educação e o preparo do futuro monarca em consonância com a Família Imperial. As Instruções do Marquês de Itanhaém aos preceptores de Dom Pedro II ainda são atuais - mais de século e meio depois! - para dar rumo ao futuro Conselho, em especial o seu artigo 4, cujo espírito de conciliação bem poderia nos servir, aos príncipes e a nós, para retomar o MM em novas bases, onde prevaleça a união. Se derrotar os planos do inimigo e impedir a reunião de suas forças são, nessa ordem, a forma mais refinada da estratégia político-militar, essas práticas seriam devastadoras se prevalecessem entre nós. Garantiriam, de antemão, nosso insucesso. Nenhum brasileiro monarquista está lutando para colocar sua própria família no trono. Esta mesma prova de desprendimento deve ser dada por todos os príncipes para que a legitimidade seja posta a serviço da Causa. E não o inverso. A ordem desses fatores altera o produto e terá forte influência na maior ou menor velocidade com que vamos atingir a meta maior da restauração - nossa missão. Ou mesmo, se vamos atingí-la algum dia antes que a república esteja definitivamente consolidada. O tempo urge, ruge e trabalha contra nós. Não se trata de pedir renúncias, mas de um firme compromisso em torno de príncipes mais jovens cuja idade permita pôr em prática o que está sendo proposto. Isso nada mais é do que fazer valer nossa tradição histórica levando em conta os novos tempos de que o Brasil tanto necessita para restaurar sua auto-estima, dignidade e honra. O desprendimento da princesa Isabel levou-a a afirmar: "Mil tronos houvera, mil tronos perderia para libertar uma raça da escravidão". O exemplo de prioridades corretas nos vem de Dom Pedro II que, nos Conselhos à Regente, grafava Brasileiro com B maiúsculo e imperador com i minúsculo. Disse também ao Barão do Rio Branco em dúvida, que continuasse a servir o País como diplomata, pois o Brasil vinha em primeiro lugar, mesmo sob regime republicano. Ambos deram provas cabais de seu entranhado amor pelo Brasil, ainda que o preço fosse o trono. Agora, o desprendimento pessoal tem um final feliz: a restauração do trono. É preciso que os legítimos sucessores de Dom Pedro II façam um profundo exame de consciência e abram caminho em direção a quem esteja mais dotado na linha sucessória para tornar o sonho realidade nestes tempos conturbados e velozes. Saber adaptar-se é imperioso no processo de sobrevivência bem sucedida. É importante que mais de um príncipe - um príncipe e uma princesa pelo menos - fosse preparado para exercer a Chefia de Estado. A existência de uma alternativa faz parte de um plano bem feito. Psicologicamente, é extremamente importante que esses príncipes saibam, desde já, que têm uma missão maior a realizar na vida. Um príncipe herdeiro que vai lutar pelo trono nas horas vagas de suas atividades profissionais dificilmente chegará a bom termo. Mas, para tanto, é preciso vontade política, ampla aceitação pela Nação da educação a lhe ser ministrada e um mínimo de tranqüilidade financeira para seu próprio sustento. Temos que fazer ver à Nação Brasileira que a tecnologia monárquica é imbatível quando se trata de formar um Chefe de Estado. Seu grau de isenção e de equilíbrio jamais será igualado por um chefe de estado republicano sempre dependente, quando não refém, de favores de grupos econômicos e de partidos políticos para chegar e se manter no poder. Cabe aos monarquistas e aos príncipes trabalhar arduamente para que o povo brasileiro perceba a importância de ter um aliado fiel e permanente que o defenda contra interesses e políticos menores. A modernidade da monarquia brasileira durante o século XIX salta aos olhos quando comparada aos dias de hoje. Quando o presidente eleito fala em restabelecer audiências populares, nos vem à mente o que ocorria, todo sábado, nos jardins do Paço Imperial de São Cristóvão, de 17 às 19 horas, em que Dom Pedro II recebia a todos, sem qualquer distinção e sem marcar audiência prévia. Quando nos entusiasmamos com a defesa da ecologia, nos lembramos dos 17 anos de replantio da floresta da Tijuca ocorrido sob o Segundo Reinado. A estabilidade claudicante da moeda conseguida nos últimos 8 anos nos faz lembrar que a inflação durante os quase cinqüenta anos do Segundo Reinado foi em média de 1,5% ao ano. Este percentual irrisório é prova cabal da plena responsabilidade fiscal vigente naquela época, ou seja, do respeito ao dinheiro público e ao poder aquisitivo dos menos favorecidos.
A comemoração de uma transição pacífica
da faixa presidencial também nos remete aos vários gabinetes
de Pedro II, que se sucederam ordeiramente, além do exemplo comovente
da abdicação de Pedro I. A liberdade de imprensa e de
pensamento, tão comemorada hoje, era moeda corrente durante todo
o Segundo Reinado. A proposta, aparentemente moderna, de controle externo
do judiciário com a finalidade de coibir os abusos de juízes
corruptos já constava da Constituição imperial.
O Imperador, ouvido o Conselho de Estado, podia suspender de função
um juiz e deixá-lo à disposição para julgamento
futuro sem privá-lo do direito de defesa. A criação
do Ministério da Defesa ocupado por um civil, que nos é
apresentado como um grande avanço, mal esconde o fato histórico
de que os Ministérios da Guerra e da Marinha eram, durante o
Segundo Reinado, normalmente ocupados por civis ciosos de que os militares
tinham que estar sob o firme comando do poder civil.
Nós, monarquistas, nos orgulhamos também da modernidade
e da atualidade das monarquias constitucionais existentes no mundo.
Quando arrolamos indicadores sociais, culturais, econômicos, ambientais,
de estabilidade institucional e outros, verificamos que os países
que são monarquias estão sempre na ponta. Embora muitos
desconheçam, foi sob monarquias constitucionais que os partidos
socialistas e trabalhistas mais conseguiram fazer avançar e implantar
as profundas reformas sociais previstas em seus programas. Suécia
e Espanha são dois bons exemplos disso. Dentre os 25 países
mais democráticos e ricos do mundo, 18 são monarquias.
Recentemente, dois intelectuais ingleses não-monarquistas resolveram
fazer uma lista dos cinco países que ofereciam as melhores condições
de exercício pleno da cidadania com excepcional qualidade de
vida e tiveram que reconhecer a contragosto que todos eram monarquias
constitucionais. Conduzir o MM brasileiro dentro da perspectiva de que existe um grupo de iluminados detentores da verdade nos aproximaria de uma visão excludente que durante décadas dominou o Comitê Central do Partido Comunista da ex-URSS. Deu no que deu. Conversar e negociar sempre foi a linguagem dos dinastas esclarecidos. Cabe a nós, manter essa tradição civilizada e civilizadora. Além do mais, a nobreza brasileira nunca foi de sangue. Os títulos com grandeza reconheciam méritos. Eram vitalícios, mas não hereditários. A cada geração, essa nobreza tinha que se reinventar para reconquistar seus títulos. Tinha que se manter alerta e disposta a lutar pelo bem da Nação Brasileira para merecê-los. Havia um quê de competição muito saudável pelo bem da Pátria, que renovava o círculo de pessoas que cercava o monarca. A única exceção era a Família Imperial. Caso contrário, descaracterizaria a monarquia ao ter uma nova família no trono a cada reinado e uma luta pelo poder profundamente desestabilizadora das instituições nacionais. Tudo isso nos enche de responsabilidade. Existe muito trabalho a ser feito. O equacionamento financeiro do MM precisa acontecer com a devida brevidade. Não há mais espaço para amadorismos de qualquer espécie. Temos que avançar em bases profissionais para obter êxito. Nosso sucesso vai depender de nossa união e do comprometimento de cada um de nós e dos príncipes com a Causa. Aproveitamos
o ensejo para agradecer a todos aqueles que mantêm viva a chama
da luta pela monarquia - ontem, hoje e amanhã. Registramos nosso
agradecimento especial ao Deputado Cunha Bueno pelas vitórias
que não podem ser esquecidas: a derrubada da Cláusula
Pétrea, que nos mantém na luta, e a elaboração
do Projeto de Constituição Monárquica, trabalho
que se mantém atual até hoje pela objetividade e clarividência.
Ressaltamos ainda sua combatividade, habilidade política e tenacidade
patriótica na convocação do Plebiscito de 1993,
pelo que merece a gratidão e o reconhecimento dos monarquistas
e patriotas em geral. Petrópolis, 2 de dezembro de 2002
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